O parlamento da Catalunha vai iniciar esta quarta-feira o debate sobre o projeto de lei para limitar a compra de habitação ou para investimento, uma iniciativa nunca antes vista em Espanha que torna o setor imobiliário altamente cauteloso e o governo de Salvador Illa conseguiu o apoio da comunidade para o orçamento de 2026.
Atualmente, diversas associações de proprietários estão analisando o texto em busca de lacunas que impeçam sua aplicação, em coordenação com a oposição. A Task Force Som Habitat assumiu a liderança e preparou um relatório sobre a constitucionalidade da proposta apresentada na segunda-feira. A análise foi elaborada pelo professor de direito civil da URV Sergio Nasarre e professor de direito civil da mesma universidade Héctor Simón.
A mensagem a passar pelo gabinete catalão visa limitar a utilização de casas compradas em zonas declaradas como estressantes, 271 municípios onde vive 90% da população da Catalunha. Desta forma, os apartamentos podem ser obtidos apenas para habitar ou utilizá-los para arrendamento regular, sendo os preços mais elevados praticados nestas zonas. Esta medida deverá ser aprovada pelo município através do plano urbanístico municipal ou através de plano especial.
A casa pode ser comprada para morar ou apenas para aluguel normal.
A iniciativa permite a aquisição de habitação para familiares até ao segundo grau de contacto ou ao primeiro grau de proximidade, mas, novamente, para uso exclusivo da residência habitual. Em qualquer caso, o comprador ou seus familiares deverão residir no imóvel há pelo menos cinco anos, com a ressalva de que deverão comprovar à administração.
Relativamente à aquisição de todos os edifícios, estes também deverão ser utilizados para arrendamento de longa duração. Por outro lado, permite a compra de apenas uma segunda residência por pessoa dentro da zona estrita, embora seja proibido alugar casa de férias.
Em suma, o projeto de lei tenta garantir que todas as habitações adquiridas na Catalunha sejam utilizadas para residência permanente, seja como proprietário ou inquilino, durante o período de validade da zona suprimida. São proibidos apartamentos turísticos ou alugueres de curta duração. Em teoria, a zona de desescalada na Catalunha terminará em 2027, embora a Generalitat já tenha anunciado que está a considerar estendê-la por mais tempo.
Possível inconstitucionalidade
Todos estes pontos são o que analisa o relatório Som Habitatge. A sua conclusão é clara: o projecto de lei promovido pelo público em geral e acordado com o CPS é “inconstitucional”. “As leis de planeamento urbano destinam-se a gerir os terrenos urbanos, o que não podem fazer são projectos fundiários”, disse Nasarre. Ao mesmo tempo, é considerada uma violação dos direitos de propriedade privada e da livre utilização do capital.
As associações de proprietários estão em negociações com grupos de oposição para levar essas objeções ao Conselho Estatutário de Garantias caso o texto final seja aprovado nesta quarta-feira. Também consideraram que seria motivo para recorrer à Justiça e denunciar a inconstitucionalidade.
Tudo aguarda o que o parlamento determinar na quarta-feira. Nesta reunião plenária, o Conselho decidirá se prosseguirá com a proposta através de uma única leitura para agilizar a sua utilização. Se tudo correr conforme o planejado, o projeto será aprovado neste mês de julho.