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Uma proposta espanhola para permitir que Bruxelas contraia empréstimos até 850 mil milhões de euros por ano para financiar o crescimento reacendeu um antigo debate sobre a dívida comum da UE.
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Mas a perspectiva de recorrer a empréstimos conjuntos continua a dividir os Estados-Membros. Um grupo de países do Sul – que inclui a França – pressiona por uma dívida mais partilhada para aumentar a competitividade, enquanto outro grupo de países do Norte, conhecidos como poupanças, opõe-se firmemente e exige regras mais rigorosas e maior disciplina orçamental.
Neste episódio do “Ring”, programa semanal de debates da Euronews, dois eurodeputados destes campos opostos enfrentam-se.
Markus Ferber, um conservador alemão, acredita que mais empréstimos apenas colocarão mais pressão sobre as finanças públicas, sem abordar as causas profundas do fraco crescimento e, em vez disso, apela a reformas nas despesas.
Pasquale Tridico, eurodeputado italiano do Movimento 5 Estrelas, descreve a dívida pública como “um dos instrumentos mais importantes para o crescimento económico” e apela à expansão da sua utilização.
“Temos de aceitar a dívida comum. Não é apenas uma questão de solidariedade, é uma questão de uma economia bem construída”, afirma o eurodeputado Tridico.
Por seu lado, Ferber acredita que, à medida que a UE tenta atrasar o reembolso da dívida comum acordada durante a Covid, conhecida como o fundo da próxima geração, os mercados “não confiarão em nós” para novos empréstimos.
“Boa sorte em ir aos mercados e pedir-lhes dinheiro”, diz ele. “Mas para refinanciar, para pagar, desculpe, os mercados vão exigir altas taxas de juros.”
Os dois eurodeputados também comentaram sobre a intensa concorrência global que a Europa enfrenta e os seus efeitos prejudiciais nas indústrias e na economia do bloco.
A sobrecapacidade industrial da China, alimentada por enormes subsídios estatais, está a inundar o mercado europeu com produtos baratos e a representar uma ameaça existencial para os sectores industriais.
A Comissão Europeia está a considerar uma resposta firme, mas estabeleceu um prazo de outubro para alcançar resultados “tangíveis” nas negociações com Pequim.
“Não estamos a fazer o suficiente (pela China) porque não estamos a utilizar o único activo que temos, que é o mercado único”, diz Ferber. Segundo ele, as barreiras dentro do mercado único da UE são tão significativas que têm um impacto económico equivalente à imposição de uma tarifa de 45 por cento sobre o comércio dentro do bloco.
Este episódio de The Ring é apresentado por Mared Gwynn, produzido por Luis Albertos Altarejos e Amaya Echevarria e editado por Vassilis Glinos.
Pode contactar-nos através do seguinte endereço: thering@euronews.com.