Padre Carlo Ancelotti terá um plano para o Brasil. Ele sempre tem um plano | BRASIL


Tas semifinais da Liga dos Campeões de 2022. O Santiago Bernabéu. Mais de 60.000 torcedores estavam no estádio e o Manchester City vencia por 1 a 0. Eu estava no banco do Real Madrid quando Carlo Ancelotti me ligou e me disse para entrar em campo, jogar agressivamente e decidir o jogo.

Entrei em campo aos 68 minutos. Aos 90 minutos empatei, mas ainda marcamos um gol. Voltamos e no minuto seguinte marquei novamente para forçar a prorrogação. Vencemos e o resto é história: mais um título para o clube depois de vencer o Liverpool na final. Aproveito para destacar a importância dos treinadores na jornada de uma equipe e o seu comprometimento com o trabalho dos jogadores, realizando um trabalho que muitas vezes é esquecido pelo público.

Tenho várias experiências como jogador do Ancelotti. Acredito que é mais fácil para os jogadores entenderem como funciona porque a real realidade do futebol está nos bastidores e não na frente das câmeras. Para a imprensa e para quem está fora do vestiário é difícil prever o que ele fará. É normal que se sintam um pouco perdidos tentando entender sua forma de pensar, pois podem esperar que ele escolha um caminho e siga outro.

Mas não se engane: suas escolhas são sempre bem pensadas, movidas pela extraordinária harmonia que vem do coração e da mente de alguém com profundo conhecimento estratégico e domínio na gestão de dinâmicas de grupo. À medida que nos aproximamos do jogo contra o Japão, na segunda-feira, acredito que todos os meus compatriotas brasileiros, especialmente aqueles que acabaram de ser informados, continuarão a mostrar o seu apoio à obra do Senhor.

Ancelotti é como um pai para nós. Ele é meu cara favorito, como treinador e como pessoa. Ele conversa conosco e dá orientações sobre assuntos dentro e fora de campo. Já ouvi uma série ou documentário sobre Ancelotti e tenho certeza que é incrível. Hoje, as redes sociais, os canais do YouTube e as produções cinematográficas que permitem maior acesso ao funcionamento de clubes e seleções mostram momentos que permaneceram secretos ou só foram revelados em artigos e autobiografias publicados muito depois da aposentadoria do autor.

‘Ancelotti é como nosso pai’: Rodrygo com o então técnico do Real Madrid após a final da Copa Intercontinental de 2024. Foto: NurPhoto/Getty Images

No entanto, inúmeros assuntos são tratados na privacidade dos vestiários e salas de reuniões. E são nestes ambientes que se decide a grandeza do mentor: na conversa sobre a vida familiar, na discussão sobre a insatisfação e na dignidade demonstrada ao apontar o caminho a seguir.

Lembro-me do primeiro treinador que viu o meu potencial, além do meu pai – Eric Goes, um ex-jogador de futebol que ainda me inspira a chegar ao próximo nível. Eu tinha seis anos e brincava com as crianças mais velhas nas ruas de Osasco, cidade da região de São Paulo. Eles tinham mais do dobro da minha idade e treinavam na academia de jovens local, mas eu era muito jovem na época.

Um dia, o treinador da academia – o que chamamos de não tinha roupa. Depois de gastarmos todas as energias naquele campo provisório, ele me ligou, tirou minha foto e me inscreveu na competição municipal como jogador do time do bairro, mesmo sendo meio ano mais velho que os outros meninos. Foi aí que percebi que meu pai tinha razão: se quero prosperar, tenho que enfrentar os maiores jogadores e vencer os melhores.

Rodrygo jogou pelo Santos em 2018 quando tinha apenas 17 anos. Foto: Buda Mendes/Getty Images

Quando estava nas categorias de base do Santos, observava o time profissional e sonhava com o momento em que vestiria essa camisa, com a torcida gritando meu nome no estádio Vila Belmiro. O técnico Jair Ventura apontou o caminho. Ele me promoveu ao time titular em 2017, abrindo a janela para deixar entrar luz e deixar meu talento brilhar. Jair diz gostar do lado humano, de conhecer um pouco da vida e dos anseios dos jogadores. Quando falei com ele, disse que um dos meus objetivos é jogar no Real Madrid. Ele acreditou na convicção das minhas palavras e comecei a ter mais oportunidades. Uma dezena de jogos depois, em 2018, recebi a oferta e Ventura foi um dos primeiros a saber.

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Durante a preparação para a Copa do Mundo de 2022, o então técnico do Brasil, Tite, ligou para Ventura para falar sobre outro jogador, e Ventura me treinou, descrevendo meu estilo de jogo e destacando meus pontos fortes. Ventura disse que eu era especial e que a sua única função era iniciar a minha carreira profissional. Ele usa a palavra “só” sem perceber que esse “só” pode significar tudo. Pouco tempo depois, fui convocado pela primeira vez para a seleção principal e permaneci no elenco de Tite durante todo o torneio, culminando na seleção para minha primeira Copa do Mundo, no Catar.

Conheci recentemente Luiz Felipe Scolari nos bastidores do programa Seleção Copa do SporTV, canal brasileiro, em Nova York, e entendo por que o time vencedor da Copa do Mundo de 2002 é chamado de “A Família Scolari”. Felipão vê o futebol como um lugar de verdadeira conexão e trata os jogadores, antes de tudo, como seres humanos, com toda a sua beleza, seus defeitos, sua capacidade de aprendizado e seu comportamento imprevisível.

Durante a minha jornada até agora, fui orientado por vários treinadores de ponta, bem como por pessoas que respeito e admiro Zinedine Zidane, Fernando Diniz, Xabi Alonso e Álvaro Arbeloa. Continuo a minha recuperação com muita esperança de ingressar no Real Madrid sob o comando de José Mourinho, um treinador que tem tudo para nos levar de volta à conquista de troféus. Num campo altamente competitivo como o futebol, é impossível não querer trabalhar com um profissional conhecido como “The Special One”.



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