Playmobil retirou sua última fábrica na Alemanha devido aos altos custos de produção


Na fábrica de brinquedos Playmobil, no município de Dietenhofen, no sul da Alemanha, os trabalhos de demolição continuam, semanas depois de ter sido decidido interromper a produção naquele local para priorizar as atividades no país mais barato, a Alemanha.

Segundo Michael Ulbrich, funcionário da Playmobil, ele está de olho nas instalações vazias de Dietenhofen, que a empresa anunciou em fevereiro que deixará de utilizar este mês para a produção das figuras clássicas desta empresa de brinquedos.

A exposição, composta por cerca de 4.000 figuras da Playmobil, mostra a reconstrução da zona norte de Logroño durante o ataque do exército francês, em junho de 1521. Raquel Manzanares/EFE

“Em Dietenhofen, onde é feita a produção, não há mais funcionários. Sou o único aqui. Recuso-me a sair da empresa”, disse à EFE. Acrescentou que “apenas uma empresa externa é responsável pela limpeza e desmontagem de tudo” que trabalha na unidade de Dietenhofen.

Ulbrich destacou que a empresa agiu mais rápido do que o esperado, já que na última segunda-feira os responsáveis ​​​​da Playmobil mandaram a maior parte dos trabalhadores para casa.

“No início, na fábrica da Playmobil Dietenhofen tínhamos 1.500 funcionários, o número diminuiu para estes 364 funcionários”, disse o funcionário de 51 anos, que já trabalhou em impressão, produção e inovação.

Há dois anos, segundo Ulbrich, a empresa cortou estes funcionários, mas, segundo a empresa, não eram suficientes para manter a atividade naquele que foi o último centro de produção da Playmobil na Alemanha.

Atualmente a empresa conta apenas com funcionários em sua sede, que fica em Zirndorf, também no sul da Alemanha, nos arredores de Nuremberg, e onde a empresa possui funcionários que lidam com administração e desenvolvimento.

De Zirndorf, o grupo Horst Brandstätter, dono da Playmobil, defendeu a decisão de fechar Dietenhofen como uma decisão causada pelo elevado custo da atividade.

“Devido aos atuais elevados custos energéticos e salariais, bem como à excessiva burocracia que existe no nosso país, já não é possível manter a produção na fábrica de Dietenhofen”, disse um porta-voz.

Foto do interior da fábrica em 2013 AFP

A atividade de Dietenhofen será substituída, segundo explicação da empresa, por uma “concentração fabril” na República Checa e em Malta, países onde a Playmobil é produzida há décadas.

“A desvantagem estrutural da nossa localização não nos deixa outra escolha”, acrescentou, referindo-se à situação que afecta diariamente muitas empresas, sobretudo do sector industrial.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, admitiu em Junho que, todos os meses, a Alemanha perde entre 10.000 e 15.000 empregos industriais, o que é um fenómeno que ocorre especialmente, segundo o chefe do governo, pelos elevados preços da energia que têm afectado o país.

Transferir

A Alemanha está a perder entre 10.000 e 15.000 empregos industriais por mês.

Michael Grömling, economista e investigador do Instituto Económico Alemão (IW), com sede em Colónia, explicou à EFE que a indústria alemã, em geral, está a passar por dificuldades que são “difíceis de avaliar” até “por causa do conflito em curso no Médio Oriente” e da “incerteza” causada pelas políticas do Presidente Trump.

Grömling acrescentou: “Para a indústria alemã, com a sua elevada abertura ao mundo exterior através das exportações e da inter-abastecimento, estas perturbações têm um impacto particularmente grave”.

Embora as instalações da Playmobil em Dietenhofen estivessem vazias, Ulbrich compreendeu as terríveis condições económicas enfrentadas pela Alemanha, em geral, e pelo Grupo Horst Brandstätter, em particular.

“O preço na Alemanha é o mais caro, mas diria também que a empresa pode gerir de forma diferente”, apontou, porque na sua opinião, os custos sociais pagos em Dietenhofen deveriam ser partilhados com a empresa Lechuza, que faz parte do grupo Horst Brandstätter e também tem sede naquele município.

“A fábrica deles ainda está lá e o custo é o mesmo do Playmobil. Mas neste caso não é exportado para o exterior. Há uma contradição”, concluiu.



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