Esta sexta-feira, 17 de julho, em Kiev, milhares de manifestantes protestaram contra a demissão do ministro da Defesa ucraniano, Mykhaïlo Fedorov. O ministro era muito popular no país.
Milhares de pessoas manifestaram-se na noite de sexta-feira, 17 de julho, em Kiev, contra a demissão do popular ministro da Defesa, Mykhaïlo Fedorov, decidida pelo presidente Volodymyr Zelensky como parte de uma reforma governamental que criou divisões.
Reunidos pelo segundo dia consecutivo na capital ucraniana, os manifestantes agitaram bandeiras e cartazes ucranianos.
“Sabotagem de Carro”
“Retorne Fedorov!”, poderia ser lido em um deles, enquanto outro convidava “a respeitar e considerar as pessoas”. Um terceiro anunciou “autossabotagem”.
O jovem reformador e defensor das altas tecnologias no campo de batalha, Mykhaïlo Fedorov anunciou a sua demissão na quarta-feira, menos de seis meses depois de assumir funções à frente do Ministério da Defesa.
Popular entre a população e apreciado pelos aliados ocidentais da Ucrânia, Mykhaïlo Fedorov explicou que entrou em conflito com o comandante do exército ucraniano, Oleksandr Syrsky, que defende uma abordagem mais tradicional às operações militares.
Volodymyr Zelensky deu poucas explicações sobre sua decisão de substituir Mykhailo Fedorov, mas disse querer preservar a “unidade” do comando militar em meio à guerra com a Rússia.
Já mais de 1.000 pessoas quinta-feira
Mykhaïlo Fedorov foi substituído interinamente por Yevgen Khmara, um discreto funcionário dos serviços de segurança ucranianos (SBU) desconhecido na política. O Parlamento ainda não decidiu sobre estas alterações, mas ainda não foi agendada nenhuma reunião.
Mais de mil pessoas já se tinham manifestado na quinta-feira em Kiev e noutras cidades da Ucrânia para exigir o regresso de Mykhaïlo Fedorov.
A sua saída também revelou sinais de divisões na hierarquia militar ucraniana sobre a condução das operações, mais de quatro anos após o início da invasão russa.