Os problemas habitacionais impulsionam a procura de soluções alternativas, como a promoção de propriedades geridas por cooperativas, seguindo a experiência de países como a Suíça, a Dinamarca e o Uruguai. A Catalunha, principal comunidade na implementação do modelo em Espanha, tem 71 projetos habitacionais cooperativos em transferência de uso na última década, mais de metade estão planeados ou em construção hoje. Um total de 1.218 apartamentos, a maioria deles protegidos.
Esse modelo facilita o acesso ao telhado, principalmente pela economia de custos, já que pode ser até 40% mais barato que no mercado livre. A principal desvantagem da propriedade é que ela não pode ser herdada ou fazer parte do sustento da família porque a propriedade pertence à cooperativa que a administra e não às pessoas que ali vivem, que têm o direito de utilizá-la.
Não há limite.
Segundo informações da Decana dos Registradores da Catalunha, esta é uma opção incipiente, pois existem apenas 1.508 aldeias nas mãos de cooperativas, 77% na província de Barcelona. Contudo, o setor cooperativo concorda que o interesse da sociedade pelo modelo aumentou significativamente nos últimos anos. O aumento da procura reflecte-se no aumento do número de cooperados – cerca de 600 pessoas num ano – da entidade que gere metade do projecto, a Sostre Cívic, com 2.600 associados.
Tipo
Grande parte das casas na transferência de uso promovida estarão oficialmente protegidas
O seu gestor de comunicação, José Téllez, explica que “muitas pessoas que estão excluídas do mercado de arrendamento e compra encontraram neste tipo de habitação uma solução adequada e estável, uma vez que a transmissão do contrato de utilização é vitalícia”, com possibilidade de transmissão em alguns casos. Ao mesmo tempo, a promoção de vendas na última fase está aumentando. “Nos próximos meses, centenas de casas cooperativas serão entregues aos seus associados em Barcelona (entre outros municípios), consolidando a tendência de crescimento do setor”, acrescentou Jordà Escolà, coordenador do sindicato. Neste sentido, prevê-se que durante este ano e no próximo sejam concluídos 9 projectos que darão aos associados um total de 309 casas, a maior parte delas (70%) são reservas florestais.
Entre os principais obstáculos, Ana Fernández, fundadora da cooperativa Col·lab, destacou “o longo processo necessário para concluir a nova promoção, que em média leva cinco anos para ser alcançado”. A jornada começa com a formação de um grupo de associados que formarão uma cooperativa, etapa que, como explica, “relaciona-se com a partilha de projetos sociais e de convivência”. Depois disso, a busca pelo terreno continua e termina com a construção do prédio. A tudo isso se soma a burocracia administrativa, que é um “grande obstáculo”, segundo Fernández.
Taxa de entrada
O modelo permite o acesso a apartamentos com uma contribuição inicial entre 2.000 e 20.000 euros.
Cada projecto exige uma contribuição financeira inicial de cada parceiro, que na casa protegida – graças a financiamento e assistência pública – varia entre 2.000 e 20.000 euros dependendo da dimensão e se é nova ou renovada. O valor será devolvido caso o companheiro decida sair do apartamento.
No que diz respeito aos requisitos de acesso, os requisitos formais de protecção têm em conta aspectos como o rendimento da unidade familiar e se o requerente possui outra casa. A cooperativa também deve demonstrar capacidade financeira para pagar as taxas mensais e o custo dos serviços comunitários.