O atacante norte-americano Christian Pulisic vai ao vestiário no intervalo da derrota para a Bélgica.
(Alan J. Schaben/Los Angeles Times)
Mais americanos jogam em grandes clubes e têm mais sucesso na Europa do que nunca, mas esse pipeline ainda não produziu uma verdadeira estrela. Muitas das equipes que venceram este torneio têm pelo menos um jogador revolucionário – Mbappe, Haaland, Lionel Messi, Harry Kane.
Ninguém nos EUA tem garantia de começar em qualquer um dos semifinalistas da Copa do Mundo e, até que isso aconteça, será difícil diminuir a diferença.
“Somos os EUA, (estamos) competindo contra a Bélgica e Portugal”, disse Pochettino em março passado. Penso que a Bélgica e Portugal estão entre os 100 melhores (jogadores). Nós não temos
Ele está certo. Quando o Guardian publicou sua lista anual dos melhores jogadores do mundo no inverno passado, o líder americano Christian Pulisic não chegou ao top 100. E não jogou uma partida inteira neste torneio, deixando um lesionado, saindo três cedo e entrando como reserva no segundo tempo. Ele jogou apenas 223 minutos – 19 a mais que Ricardo Pepi – e finalizou com uma assistência.
Landon Donovan foi o mais próximo que os EUA tiveram de uma virada de jogo, então não é surpresa que ele tenha marcado gols importantes nas partidas mais importantes da equipe na Copa do Mundo nos últimos 32 anos: um contra a Argélia nos acréscimos em 2010, que permitiu aos americanos terminarem em seu grupo pela primeira vez desde 1930, e outro contra o México 10. Apenas uma vez nas quartas de final.
Se foram as questões estruturais que há muito tempo travam o futebol dos EUA, a chamada equipa da Geração de Ouro, que se formou na sequência do seu fracasso na qualificação para o Campeonato do Mundo de 2018, também teve os seus próprios problemas.
O talento era inegável e isso gerava grandes expectativas. Mas o que esta geração conseguiu? Duas eliminações nas oitavas de final da Copa do Mundo, um título da Copa Ouro nos últimos quatro torneios – a pior sequência do time neste século – um quarto lugar na última Liga das Nações e uma eliminação na fase de grupos na última Copa América.
Vitórias impressionantes contra o Paraguai e a Austrália na abertura da Copa do Mundo deram brilho à geração de ouro e sugeriram progresso. Mas quando os americanos enfrentaram um time dos 10 primeiros na Bélgica, o confronto se mostrou um desencontro.
“Queremos grandes expectativas”, disse Pulisic. “Queremos competir com os melhores do mundo. Ainda temos o próximo nível para subir.”
Contra a Bélgica, esse passo parecia tão íngreme quanto o Everest.