Buffett adia doação anual à Fundação Gates enquanto se aguarda investigação sobre ligações com Jeffrey Epstein: WSJ


Bill Gates e Warren Buffett falam na Universidade de Columbia.

Spencer Platt | Notícias da Getty Images | Imagens Getty

O investidor veterano Warren Buffett suspendeu suas doações regulares à Fundação Gates enquanto se aguarda o resultado de uma revisão do relacionamento da fundação com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, informou o Wall Street Journal na segunda-feira.

A medida é o primeiro adiamento de Buffett em duas décadas, segundo a revista, que citou pessoas familiarizadas com seus planos. Uma decisão pode ser tomada no final do ano, quando ele emitir sua carta anual de agradecimento.

As conclusões da revisão são esperadas neste verão, disse o relatório.

Algumas pessoas com quem a revista conversou disseram que Buffett e pessoas próximas a ele contataram os líderes da fundação, incluindo o CEO Mark Suzman, para saber mais sobre o relacionamento de Epstein com a organização e a revisão em andamento.

A CNBC procurou comentários da Fundação Gates, mas não obteve resposta até o momento da publicação.

O presidente da Berkshire Hathaway, de 95 anos, normalmente doa ações da empresa à Fundação Gates, uma instituição de caridade criada pelo fundador da Microsoft, Bill Gates, e sua ex-mulher, Melinda Gates, todo verão.

Desde 2006, Buffett doou mais de US$ 43 bilhões, parte de um compromisso “vitalício” que assumiu quando construiu um relacionamento próximo com a Fundação Gates.

Gates tornou-se amigo de Epstein em 2011, três anos depois de Epstein se ter declarado culpado num tribunal da Florida por solicitar uma menor de idade para prostituição.

E-mails e fotos detalhando a amizade de Gates e Epstein foram revelados em documentos divulgados pelo Departamento de Justiça e pelo Congresso desde o final de 2025.

No depoimento de Gates ao Comitê de Supervisão da Câmara em 10 de junho, ele disse que o encontro com Epstein foi um “grave erro de julgamento”, mas negou ter testemunhado atividades criminosas de Epstein ou ter participado de tal comportamento.

Gates também acrescentou que só descobriu que Epstein era um criminoso sexual registrado em 2018, depois que a repórter Julie K. Brown do Miami Herald investigou o acordo judicial de Epstein em 2008.

Em março, Buffett disse à CNBC que não tinha falado com Bill Gates desde que os ficheiros de Epstein foram divulgados, dizendo: “Não quero estar numa posição em que sei das coisas… ser chamado como testemunha”.

Embora tenha falado com carinho sobre seu relacionamento pessoal com o cofundador da Microsoft, Buffett também disse: “Acho que até que tudo esteja limpo, não faz sentido dizer muito”, referindo-se ao escândalo em torno de Epstein e Gates.

— Dan Mangan da CNBC contribuiu para este relatório.

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