Jacarta, CNN Indonésia —
Num workshop simples no meio do superlotado campo de refugiados de Nuseirat, Gaza meio, o tilintar suave de instrumentos musicais tradicional O oud ainda pode ser ouvido entre as ruínas dos edifícios destruídos guerra.
Numa pequena sala repleta de paletes de madeira, pedaços de caixas de ajuda humanitária e pedaços de instrumentos musicais partidos, Suhail Abu Shawish repara meticulosamente um oud amassado e rachado. Seus dedos afinaram lentamente as cordas do instrumento, que ele havia recuperado após vários dias de reparos meticulosos.
Para Abu Shawish, reparar oud significa mais do que apenas ganhar a vida. No meio da guerra que destruiu grande parte da Faixa de Gaza, o seu trabalho tornou-se um dos símbolos importantes da identidade cultural palestina.
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“Os jovens começaram a me enviar para consertar seus instrumentos musicais”, disse Abu Shawish à AFP, depois que um cliente chegou com vários instrumentos quebrados embrulhados em sacos plásticos pretos.
Vários ouds restaurados estão pendurados nas paredes da oficina. Estes instrumentos tornaram-se um símbolo de resiliência, esperança e amor pela música em situações difíceis.
O homem de 60 anos começou a aprender a tocar oud na década de 1980. Esta experiência levou-o a trabalhar em diversas instituições até se tornar um especialista na conservação e restauro de instrumentos musicais tradicionais.
Mas a guerra mudou tudo.
Ele fugiu para a cidade de Rafah, no sul de Gaza, antes de regressar à sua casa no campo de Nuseirat. Agora, sem uma oficina adequada, matérias-primas suficientes ou um fornecimento estável de eletricidade, Abu Shawish faz quase todo o seu trabalho com ferramentas manuais.
Usando um serrote e uma lima, ele corta a madeira, alisa a superfície e depois corta pedaços de couro que muitos considerariam inaproveitáveis.
“Mesmo que a madeira seja muito rara e cara, ela ainda vem até mim”, disse ele.
“Embora a guerra cause muitas dificuldades, continuamos a trabalhar”, continuou Abu Shawish, de cabelos brancos, vestindo camisa azul e jeans.
Para ele, cada instrumento musical recuperado é uma pequena vitória contra a destruição que o rodeia.
“Gosto de comprar oud e também toco oud”, disse ele.
Use os baús de ajuda
Os clientes continuam a chegar na esperança de que o som quente e distinto do oud possa regressar à sua antiga glória. Porém, o maior desafio é a falta de matéria-prima.
Madeira de qualidade, normalmente utilizada para fabricar e reparar oud, é agora quase impossível de obter devido às restrições de importação e aos fornecimentos limitados durante a guerra.
Para superar isso, Abu Shawish usou restos de madeira de caixas de ajuda humanitária como substituto. Enquanto isso, ele reutilizou peças de oud que ainda eram viáveis de outros instrumentos que estavam bastante danificados para consertar outros instrumentos musicais.
“Não havia madeira. Compramos madeira usada em caixas de ajuda e usamos as partes quebradas de instrumentos musicais para consertar outros instrumentos musicais”, disse ele.
O preço dos materiais auxiliares também aumentou acentuadamente. A cola, que costumava ser vendida por cerca de 20 siclos, agora custa cerca de 60 siclos. O preço do diluente também disparou, tornando cada vez mais difícil para os artesãos obter equipamentos críticos.
Por outro lado, a crise eléctrica significa que trabalhos que normalmente são feitos por máquinas têm de ser feitos inteiramente à mão.
“Trabalhamos manualmente com serras e limas. Foi muito difícil para nós”, disse ele.
Como resultado, o processo de reparo de um instrumento musical leva muito mais tempo. Mas Abu Shawish não desistiu.
Enquanto a luz do sol se filtrava pelas frestas da oficina, ele deu os retoques finais no oud que acabara de consertar antes de dedilhar lentamente as cordas. O som resultante parece proporcionar um momento de paz em meio à dureza da vida devido à guerra.
No futuro, Abu Shawish espera que a situação em Gaza melhore e que matérias-primas como madeira, cola e outros equipamentos possam voltar a ser importadas. Seu sonho é produzir instrumentos musicais palestinos de alta qualidade que possam competir no mercado internacional.
“Esperamos que a situação melhore e que possamos importar madeira, cola e outros materiais”, afirmou.
“Queremos trabalhar como outros países, competir globalmente e começar a produzir instrumentos musicais que podemos orgulhosamente chamar de fabricados na Palestina, fabricados em Gaza”, disse ele, tocando as cordas de um oud recentemente restaurado.
(Terça / Terça-feira)
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(Gamba: vídeo da CNN)