Este homem chegou a um aeroporto de Paris esperando pegar um vôo. Em vez disso, ele morou lá pelos 18 anos seguintes.


Durante anos, os viajantes que passavam pelo Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, encontraram um homem que pertence tanto ao terminal quanto aos passageiros, às placas de voo e às áreas de espera ao seu redor. Mehran Karimi Nasseri morou no aeroporto por quase 18 anos, transformando um pequeno quarto próximo ao Terminal 2F em um local de rotina, reflexão e sobrevivência. As suas circunstâncias incomuns começaram com um complicado procedimento de imigração que o impediu de circular livremente entre países. Embora Nasseri tenha eventualmente deixado o terminal, a sua ligação ao aeroporto nunca desapareceu completamente. Décadas mais tarde, o local que ele capturou tornou-se o local onde sua extraordinária jornada chegou ao fim.

A viagem de Mehran Karimi Nasseri do Irã em 1945 e uma vida de 18 anos em um Aeroporto de Paris

Nascido em 1945 na província iraniana do Khuzistão, Nasseri deixou a sua terra natal ainda jovem em busca da mãe e iniciou uma viagem que o levaria pela Europa.Passou um tempo na Bélgica antes de tentar construir uma vida noutros países europeus. No entanto, sem os documentos de imigração exigidos, ele enfrentou dificuldades repetidas vezes. As autoridades de países como o Reino Unido, os Países Baixos e a Alemanha recusaram-lhe permissão para ficar, forçando-o a seguir em frente. Eventualmente, Nasseri chegou à França. Em vez de encontrar um local permanente para se estabelecer, ele se viu envolvido em uma complicada situação jurídica que o deixou preso no aeroporto Charles de Gaulle.

Como Nasseri transformou um terminal do aeroporto de Paris em sua casa cotidiana

No aeroporto, Nasseri criou uma rotina em torno do único ambiente à sua disposição. Seus pertences eram guardados em vagões de bagagem próximos a ele, e um banco próximo ao terminal passou a ser seu principal espaço de convivência.Passava horas em cadernos, lendo jornais e observando o interminável movimento dos viajantes ao seu redor. Enquanto milhares de pessoas passavam pelo aeroporto todos os dias a caminho de diferentes destinos, Nasseri permanecia no mesmo lugar.O pessoal do aeroporto gradualmente confiou nele. Ele não era mais apenas mais um passageiro à espera de um voo. Tornou-se uma figura permanente na vida cotidiana do terminal.Sua situação atraiu a atenção de jornalistas fascinados pela história de um homem que mora em um dos aeroportos mais movimentados do mundo. Nasseri frequentemente se apresentava como “Sir Alfred”, nome que adotou durante seus anos lá, conforme relatado pelo South China Morning Post (SCMP).

PC: SCMP

Como durou a casa de Nasseri no aeroporto mesmo após o término de sua batalha legal

A situação jurídica de Nasseri acabou mudando. Conforme relatado pelo SCMP, em 1999, foi-lhe concedido o estatuto de refugiado e foi-lhe concedida permissão para permanecer em França.No entanto, conseguir sair do aeroporto não acabou imediatamente com seu estilo de vida incomum. Ele continuou no Charles de Gaulle até 2006, quando problemas de saúde o levaram a ser levado ao hospital.Depois de sair do terminal, Nasseri passou um tempo em um albergue. Sua história permaneceu incomum porque o aeroporto não era simplesmente um lugar onde ele estava preso. Ao longo de quase duas décadas, tornou-se o centro da sua existência diária.

Um retorno final a Charles de Gaulle

Anos depois de deixar o terminal, Nasseri retornou ao Aeroporto Charles de Gaulle meses antes de sua morte.Segundo funcionários do aeroporto, ele morreu ali de causas naturais em novembro de 2022. Foi encontrado com vários milhares de euros entre os seus pertences.A sua vida tornou-se associada a uma imagem extraordinária: um homem sentado num aeroporto enquanto o mundo continua a mover-se à sua volta. Mas por detrás dessa imagem estava uma história complexa de migração, incerteza jurídica e uma procura de pertença.



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