O Seattle Seahawks pode sonhar com mata-mata?

Por Paulo Sérgio – Anos atrás, o Seattle Seahawks era a maior potência da NFC. O time chegou a dois Super Bowl seguidos, vencendo o primeiro deles contra o Denver Broncos e perdendo para o New England Patriots no seguinte. Fora as duas idas à grande final, o Seahawks flertou com outras idas ao SB nos anos posteriores, mas não conseguiu manter o ritmo dos dois anos de glória.

Esse time vencedor, comandando por Pete Carroll, tinha a famosa “Legion of Boom” como sua principal marca: Richard Sherman, Kam Chancellor e Earl Thomas formaram uma das melhores secundárias da história da liga, encantando a NFL com explosão e eficiência. Fora a grande secundária, a defesa tinha nomes como Malcolm Smith (MVP do Super Bowl XLVIII), Bruce Irvin e Bobby Wagner.

No ataque, Marshawn Lynch carregava um quase imparável jogo terrestre com sua força. Russell Wilson, ainda em seus primeiros anos de carreira, comandava um ataque que precisava mostrar sua força para acompanhar a impactante defesa. Com bons recebedores como Doug Baldwin, Golden Tate e Zach Miller, Wilson dava seus passos rumo a glória máxima com um ataque equilibrado.

Com o passar dos anos, esse time foi se desconstruindo aos poucos. Tão aos poucos que ainda foram competitivos. Mas a conta foi chegando, jogadores foram saindo e o Seahawks de anos atrás foi perdendo o favoritismo. Lynch deixou o time (depois voltou da aposentadoria), Tate, Miller e Smith foram outros que saíram.

Depois da última temporada, Kam Chancellor e Richard Sherman foram embora, terminando de vez com a era da “LOB”. Michael Bennett foi para os Eagles. Bruce Irvin foi para os Raiders. Portanto, do time campeão sobrou apenas um ou outro jogador, sendo Russell Wilson o mais notável.

Técnico Pete Carroll tenta manter o time nos trilhos (Foto: Instagram/Seahawks)

Mesmo com tantas mudanças e despedidas, os Seahawks continuam competitivos. A expectativa para essa temporada era brigar por wild card, já que os Rams montaram um time cheio de estrelas par ser campeão da divisão. Depois da contusão de Earl Thomas, o remanescente da Legion of Boom, os Seahawks perderam pontos para brigar pela pós-temporada, já que ficaram sem um dos melhores Safety da liga.

A campanha dos Seahawks é de 5-5 atualmente, o que o deixa fora da zona de wild card por meio jogo em relação aos Vikings. Após tantas perdas nos últimos anos, contusões e falta de reposição, os Seahawks continuam sendo competitivos. Qual a chave do sucesso?

Pete Carroll mostra a cada temporada o quanto é um espetacular Head Coach. Na última quinta-feira (15), contra o Green Bay Packers, no CenturyLink Field, o Seahawks enfrentou um adversário complicado e que precisava da vitória para continuar sonhando com playoffs. Mesmo contra um adversário cascudo, o time de Pete Carroll se comportou bem durante a partida, até nos momentos em que esteve atrás no placar.

O problema maior do time é a linha ofensiva, que é o coração do ataque e compromete completamente o sistema. Russell Wilson sofre muitos sacks e hits, não tem tempo dentro no pocket e se salva apenas pela sua mobilidade, capacidade de lançar em movimento e correr com a bola.

O jogo terrestre nunca foi o mesmo depois da saída de Marshawn Lynch, passando milhares de RBs durante esse tempo; entretanto, o time vem sendo muito ajudado com a variação de Chris Carson, Rashaad Penny e Mike Davis.

Com um ataque tendo alguns problemas e buracos, a defesa precisa sofrer poucos pontos para o time a chegar à vitória. Mesmo com desfalques importantes, Pete Carroll vem conseguindo montar um sistema competitivo em todos os setores defensivos e o Seahawks respira por playoffs. A linha defensiva consegue pressionar bem o QB adversário, como contra os Packers, quando conseguiu 5 sacks em Aaron Rodgers. Os LBs fazem bem o papel no meio-campo e a secundária é segura.

Com Russell Wilson se virando como pode juntamente com um jogo terrestre dinâmico no ataque e uma defesa cedendo poucos pontos, os Seahawks podem sonhar com o mata-mata. Pete Carroll faz parte desse Seahawks de sucesso e agora é o responsável para um time completamente remendado continuar forte e sendo conduzindo pela sua torcida. A capacidade de montar sistemas competitivos é a cara do treinador.

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