Um balanço do Super Bowl LII – o que houve de melhor dentro e fora de campo

Por Felipe Dal Coletto – No dia 4 de fevereiro rolou o Super Bowl LII, a partida, que já entrou pra história, foi extremamente emocionante e recheada de surpresas para os amantes da bola oval. Nós do, NFL à Brasileira, daremos um giro pelo duelo, avaliando alguns elementos do que foi o maior evento de futebol americano do mundo.

Era aproximadamente uma hora da madrugada do dia 5 de fevereiro quando a partida de fato terminou, Tom Brady postado no pocket observava seus jogadores correndo em direção ao fundo do campo e a pressão crescia em cima do QB. O camisa 12 se desvencilha de um sack, corre para a direita e solta uma bomba da linha de 45 jardas de seu campo para a endzone. Gronkwoski pula em direção da bola, cercado por 4 marcadores, seus dedos chegam a tocar nela, mas não conseguem segurá-la, a bola ainda bate, rebate e vai ao chão. Fim de jogo, o cronômetro vai a zero. Philadelphia Eagles campeão em Minneapolis, seu primeiro título, noite histórica para a franquia que conquistou o inédito Vince Lombardi. Vitória também para todos nós que assistimos uma partida que foi, do início ao fim, sensacional.

O Patriots

A sabedoria popular já diz: ataques vendem ingressos, defesas ganham campeonatos.

Bem, isso não exatamente se aplicaria a esse jogo, porque nenhuma das defesas de fato trabalhou bem em campo, mas diz algo sobre o motivo pelo qual o Patriots não venceu a partida, seu ataque fulminante não foi acompanhado por sua defesa.

Ofensivamente o time de Boston teve um ótimo desempenho, foi aguerrido até o fim e, como já é de costume, teve drives decisivos e pontuou mais a partir do fim do primeiro tempo. Sua defesa, porém, pareceu não entrar em campo em momento nenhum.

Literalmente, em certa medida, ela não entrou em campo (Kyle Van Noy até admitiu isso). Malcon Butler, cornerback herói do Super Bowl XLIX, não teve um snap defensivo, mesmo tendo jogado todas as partidas até então. Sua participação mais marcante foi na sideline, chorando durante o hino nacional americano quando, provavelmente, soube que não jogaria. Não existe nenhuma certeza que ele teria feito a diferença para a vitória se estivesse em campo, mas os fãs especularão eternamente.

Os que entraram em campo não conseguiram produzir no esquema defensivo aplicado por Belichick e Patricia. As jogadas que consistiram majoritariamente em marcações individuais, no estilo homem a homem, deixaram os defensive backs do time em desvantagem, criando boas janelas para que Nick Foles pudesse lançar a bola sem medo.

Os linebackers não tiveram boas atuações, perdendo muitos tackles e raramente parando a jogada no primeiro ataque ao jogador que carregava a bola. Não foram capazes de acompanhar os running backs quando esses desenvolviam rotas mais longas e, por medo do forte jogo corrido de Philly, compraram constantemente os play actions de Nick Foles.

A linha defensiva não conseguiu aplicar pressão, a única falha da defesa dos Patriots que já era esperada, visto que a linha ofensiva do Eagles é discutivelmente a melhor da NFL. Na maior parte do tempo os stunts e bull rush não afetaram a OL, foram apenas cinco hits no QB e nenhum sack. A mesma DL foi em tempo integral incapaz de segurar os bloqueios da linha que criaram avenidas para os RBs do time verde e prata alcançarem 164 jardas corridas em uma média de, pasmem, 6,1 por tentativa.

O jogo teria sido triste se o ataque do time de Massachussetts não tivesse impecável e jogando com força total. Tom Brady foi um show à parte, pilhando recordes como:

Jardas passadas em um único Super Bowl (505)

Tentativas de passe em múltiplos Super Bowls (357)

Passes completos em múltiplos Super Bowls (235)

Jardas passadas em múltiplos Super Bowls (2,576)

Maior número de TDs em múltiplos Super Bowls (18)

Maior número de aparições por um QB em Super Bowls (8)

Maior número de passes tentados sem nenhuma interceptação em um único Super Bowl (48)

Além dos números, o termômetro do olho mais uma vez mostrou que Tom Brady fez jus ao título de MVP da temporada, carregou o time nas costas, foi líder e lutou até o fim em busca de operar um milagre, mesmo tendo perdido uma arma importantíssima de seu arsenal durante a partida. Brandin Cooks não pode jogar os 60 minutos da disputa entre a AFC e NFC em decorrência de uma concussão.

Não podemos deixar de lembrar e ressaltar a importância de Gronkowski. Apesar de um primeiro tempo apagado, o jogador voltou do vestiário e conseguiu suprir a necessidade de um alvo para seu QB, com nove recepções e 116 jardas, e Amendola, que foi o alvo mais confiável de Brady com oito recepções para 152 jardas.

O momento em que Gronk entrou no jogo:

Os times especiais deixaram a desejar para New England, com Stephen Gostkowski errando Field Goals e Extra Points. Bill Belichick, antes do início da partida, havia elogiado seus times especiais e dito que eles eram uma das melhores fases de jogo do time, contudo ao longo da partida vimos que não estavam como seu técnico esperava.

O Eagles

O jogo de Philadelphia, em um sentido de desempenho por cada fase do jogo em campo, não foi muito diferente do time de Boston. Ótimo ataque, defesa abaixo do esperado e times especiais descuidados.

O ataque produziu sob a batuta de Nick Foles assombrosos 41 pontos, 538 jardas, 62,5% de conversão em terceiras descidas e 100% de aproveitamento em conversão de quartas descidas. Nick Foles foi o MVP do Super Bowl e fez a partida da sua vida por:

1º – Mérito próprio: Ele teve calma no momento ápice de sua carreira, foi cuidadoso com a bola, respeitou seus limites e as diretrizes de seu coordenador ofensivo.

2º – Uma linha ofensiva absoluta em campo: Se teve uma coisa que funcionou em tempo integral nessa partida, foi a linha ofensiva de Philadelphia.

A linha ofensiva composta por Vaitai, Left Tackle que cresceu muito nas últimas semanas e teve um bom desempenho mesmo cobrindo o enorme vácuo deixado pelo lesionado Jason Peters; Wisniewski, Left Guard; Jason Kelce, irmão do Tight End do Chiefs, Travis Kelce, e um dos melhores e mais atléticos Centers da liga; Brandon Brooks, Right Guard; e Lane Johnson, Right Tackle. Sem esses homens que muitas das vezes não são conhecidos pelos fãs casuais e têm seu trabalho quase que desapercebido, Foles e Pederson não teriam ganho o Super Bowl LII.

Não podemos deixar de ressaltar também o ótimo trabalho dos recebedores, que por vezes buscaram bolas que Nick Foles não colocava no ponto certo, mas destaque especial para Zach Ertz que foi o voto de segurança de Foles e que ajudou recebendo bolas, bloqueando e liderando corridas para os RB’s.

A defesa de Philadelphia, que havia sido na temporada regular a número 4 em jardas totais e pontos cedidos, chegou nos playoffs cedendo apenas 17 pontos em duas partidas. Porém, durante sua apresentação no grande palco do futebol americano, sofreu 33 pontos. A defesa em geral não jogou bem, a linha defensiva produziu pouca pressão e, quando auxiliada por Blitz, o fundo do campo ficava livre para Tom Brady se livrar rapidamente da bola. Os DB’s não conseguiam acompanhar 100% a marcação homem a homem nem cobrir os pontos fracos da cobertura em zona contra o QB do Patriots.

O único elemento defensivo de destaque positivo para o time da Pensilvânia, e que foi o fator que desequilibrou a balança da partida e garantiu a vitória do Eagles, foi o Fumble forçado por Brandon Graham. Com dois minutos e quatorze segundos sobrando no relógio, o Defensive End consegue chegar até Brady e bater em sua mão, deixando a bola livre para ser recuperada por Derek Barnett.

Essa jogada, essa única jogada executada por qualquer uma das duas defesas (o Pats teve uma interceptação, mas foi total demérito do WR que deixou o Safety com a bola), foi o ponto chave para condenar as chances dos Patriots vencerem a partida. Além do pouco tempo no relógio, a posição de campo onde ocorreu já garantia, pelo menos, três tentos através de um Field Goal.

Essa jogada será lembrada eternamente:

A arbitragem

Particularmente, não acho relevante comentar arbitragem, os árbitros são imparciais e, como seres humanos normais em ambiente de trabalho, comentem eventuais erros. Só vou citar aqui que gosto muito da arbitragem de Gene Steratore. O veterano de doze temporadas geralmente leva a partida com leveza, parece estar se divertindo e costuma ter boas decisões (não venham implicar com o papel para medir a descida no jogo do Cowboys, foi bem engenhoso).

Vou usar esse espaço sobre a arbitragem para dizer que não daria o Touchdown na jogada de Corey Clement aos 7:18 do terceiro quarto (lembrando que essa jogada foi revista e não foi uma escolha do Steratore) pois acho que o jogador pisou fora e gostaria de pensar que talvez a liga deva rever ainda mais ostensivamente a questão de contato capacete contra capacete, visto que aos 13:01 do segundo quarto Brandin Cooks foi nocauteado por Malcolm Jenkins em um contato dentro da regra, porém muito desleal.

A saudade

O Super Bowl LII foi a coroação de uma temporada absolutamente emocionante, cheia de reviravoltas e que mostrou o quanto a NFL é cíclica, ou seja, as coisas giram e quem está no topo hoje pode estar passando por uma seca amanhã. Para quem assistiu ao jogo pela primeira vez, foi agraciado com uma enxurrada de pontos e jogadas engraçadas, para quem já acompanhava além das trick plays, um milhar de jardas e o momento histórico, pode acompanhar também a narrativa de Cinderela de Nick Foles e do Eagles, que começaram como descreditados e no fim levantaram a taça mais importante do mundo da bola oval.

Nos resta agora acompanhar as movimentações dos times – através do draft, contratações da free agency, dispensas e renovações – e aguardar que setembro chegue logo para que a temporada do melhor entretenimento do mundo volte às telas.

As imagens do jogo são sensacionais. Separamos algumas delas, que estão no site da NFL. Confira (clique para ampliar):

Ronaldo Barreto

Jornalista formado desde 2016, mas já trabalhava na área desde 2010, quando comecei em uma rádio comunitária em Guarulhos. Fui repórter (estagiário) na Federação Paulista de Futebol (FPF) e no site do jornal Diário de S. Paulo. Neste último, fui efetivado em 2016 e passei a ser o responsável por todo o conteúdo do portal do veículo em 2017, além das redes sociais. Com o intuito de fazer o futebol americano crescer ainda mais no Brasil, criei a página NFL à Brasileira, que se expandiu para este site de notícias sobre o esporte. Além da escrita, sou muito ligado à fotografia, principalmente de esportes.

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