Richard Sherman: ‘Os 5 confrontos dos meus sonhos’

Na tradução de mais um texto do The Players Tribune, tem uma opinião de Richard Sherman. Opinião, não; na verdade, um sonho do cornerback do Seattle Seahawks. O lateral listou os cinco recebedores da NFL que ele queria ter enfrentado.

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Os 5 confrontos dos meus sonhos

Uma coisa que acho que as pessoas muitas vezes se esquecem dos atletas profissionais é que, em grande parte, também somos fãs. Não é uma relação de “Posso tirar uma foto com você?” Ou “Você pode assinar meu bebê?”. Mas gostamos de ver os melhores atletas do mundo competir no mais alto nível, tanto quanto qualquer um.

E nós apreciamos a grandeza quando a vemos, independentemente do esporte.

Durante o tempo livre, no vestiário ou nos treinos, meus colegas de equipe e eu nos envolvemos nos mesmos debates esportivos que qualquer outro grupo.

Melhor em seu auge: Muhammad Ali ou Mike Tyson?

Warriors ou o Bulls de 1996?

Kobe Bryant, MJ ou LeBron?

(Para registrar, eu apostaria meu dinheiro em Ali contra qualquer um, nos Bulls de 96 e em Kobe)

São os cenários hipotéticos e os conflitos que criam os maiores debates porque não há respostas reais. Nós nunca saberemos.

Então, quando vejo os melhores momentos – ou ouço as pessoas discutindo sobre – dos maiores recebedores de todos os tempos, é difícil para mim, como competidor, não me sentar e pensar ‘cara, eu gostaria de poder ter jogado contra alguns desses caras’.

Nesse espírito, comecei a pensar em alguns dos grandes wide receivers que vieram um pouco antes do meu tempo na NFL – caras que eu adoraria ter tido a chance de me alinhar e bloquear.

E o primeiro que vem à mente é um cara que eu tive a oportunidade de jogar contra …

Randy Moss

Eu joguei contra Randy já em fim de carreira, em 2012, quando ele estava no 49ers. Mas esse não era o Randy Moss que eu queria cobrir.

Eu queria o jovem Randy.

Aquele que fez seu nome virar um verbo.

Quando crianças, gritávamos sempre que alguém fazia uma recepção incrível sobre o defensor – especialmente se fosse um touchdown:

“Você foi Mossado!” (You got Mossed)

Isso começou quando Randy entrou na liga. Nos primeiros dias com os Vikings, ele ‘Mossou’ pessoas para a esquerda e para a direita.

Ou como, contra Charles Woodson – um futuro Hall da Fama -, ele fez a recepção com uma mão.

Esses caras foram ‘Mossados’ e aí nasceu o slogan.

No final de sua carreira, quando joguei contra ele, Randy ainda tinha velocidade. Ele ainda tinha agilidade. Ele ainda tinha as mãos. Mas ele não era o mesmo que tinha sido quando ele estava no auge. Quando ele entrou na liga, ele provavelmente tinha a melhor combinação de velocidade, agilidade e mãos que alguém já havia visto. E, além disso, ele tinha o tamanho e a capacidade de pular – eu acho que você chamaria de “Mossabilidade” – para subir e pegar a bola, não importa onde ela tivesse sido jogada.

Acrescente o fato de que, durante a maior parte do tempo em Minnesota, ele teve um quarterback em Daunte Culpepper com um dos braços mais fortes da liga – que poderia deixar Randy brilhar – e isso teria sido divertido para um cornerback como eu.

Na verdade, esse ataque do Vikings foi tão prolífico que não precisamos ir longe para encontrar o próximo cara na minha lista.

Nós só precisamos olhar para a outra lateral do campo.

Cris Carter

Cris Carter teve provavelmente as melhores mãos da NFL – talvez de toda a história. Ele era um verdadeiro mestre nisso.

Ele era um cara que teria sido muito divertido cobrir porque a margem de erro teria sido muito pequena. Não dava nem para deixar a bola chegar às mãos dele, porque se chegasse lá, ele pegava. Sempre. Ele fazia recepções com uma mão na esquerda e na direita, quando isso ainda era uma raridade.

Para evitar que a bola chegasse às mãos dele, eu teria que fazer ele refazer sua rota. Eu teria que tentar interrompê-lo ainda na linha de scrimmage e ‘quebrar’ a bola cedo – talvez entrar na cabeça dele e chacoalhar um pouco, o que teria sido difícil, porque ele era um competidor nato.

Seria ainda mais difícil defender Cris na NFL de hoje, porque, na sua época, o jogo era mais físico. Agora, como algumas regras mudaram, os DBs (defensive backs, a secundária) não podem interromper os recebedores na linha da maneira que era antes, então eles têm ainda mais vantagem do que tinham quando Cris estava jogando.

Cris Carter é um recebedor Hall of Fame, mas é bastante assustador imaginar o que um homem como ele poderia fazer no jogo de hoje.

E em qualquer época, como defensor, não sei como você poderia parar Cris Carter e Randy Moss em um mesmo ataque.

Mas, cara, eu adoraria descobrir.

Terrell Owens

Forte. Rápido. Atlético. Um corpo grande com ótimas mãos.

T.O. tinha tudo.

Não consigo pensar em muitos recebedores que tenham todas as habilidades que T.O. tinha, além de 1,90m de altura e 105kg. Ele poderia vencer os caras de muitas maneiras. Ele poderia usar sua velocidade para ficar atrás da defesa em rotas. Ele poderia pegar screen pass (passe mais lateral e curto) e usar sua velocidade para levar a bola para a casa. Ele poderia atravessar pelo meio, porque ele tinha o tamanho e a força para ter sucesso por ali, saltar imediatamente e continuar correndo.

Estatisticamente, ele está no Top 3 de todos os tempos em ambos: jardas em recepções e touchdowns, então você sabe que ele se ocupou de negócios no campo. E tudo o que ele fez e disse, depois do apito e fora do campo – as comemorações, a pipoca, as entrevistas de imprensa.

Acho que uma batalha entre  T.O. e eu teria sido muito hilária.

Infelizmente, acho que o material extracurricular que ele apresentou fez as pessoas o verem de um jeito errado – especialmente os eleitores do Hall of Fame. Mas, no final do dia, ele é um dos grandes recebedores todos os tempos e deveria estar no Hall of Fame, como Cris Carter é e Randy Moss, sem dúvida, será.

Na verdade, T.O. rra um talento tão único que eu acho que ele era o primeiro grande recebedor de sua espécie que vimos desde um certo Hall of Famer que veio antes dele…

Michael Irving

Qualquer pessoa com um apelido como “The Playmaker” é um cara que qualquer cornerback de elite gostaria de ter a chance de se alinhar contra. Como um corner, nós tratamos todos os recebedores da mesma forma, independentemente do nível de talento ou do currículo – é assim que você evita decepções. Mas, no fim, nos medimos conforme nos apresentamos contra os melhores.

O apelido de Irvin era apto. Ele era um grande playmaker. Ele se ajustava bem a diferentes tipos de cobertura. Ele era físico. Ele tinha grandes mãos, corria rotas limpas e tinha a velocidade para ficar atrás da defesa ou receber passes curtos e transformá-lo em touchdowns longos.

E ele brilhava mais quando o momento era mais importante.

Durante os três Super Bowl dos Cowboys conquistados nos anos 90, as estatísticas de playoff de Irvin foram:

Jogos: 9
Recepções: 48
Jardas de recepção: 688
Touchdowns: 6

Playmaker.

Caras como Irvin, T.O. E Calvin Johnson provavelmente estão em uma categoria única quando se trata de sua combinação de tamanho, velocidade e físico. Imagino que, ao se alinhar contra Michael Irvin, você precisava sabe que teria um trabalho de um dia inteiro – especialmente com todos os jogadores dinâmicos que o Cowboys tinha ao seu redor.

Ele é o Playmaker, e eu sou o tipo de cara que gostaria de ver por mim mesmo o que é isso. E assim como T.O., os playmakers vão falar pouco. Então, Michael Irvin teria sido uma partida divertida para mim.

Jerry Rice

Muitas pessoas consideram Jerry Rice como o maior recebedor de todos os tempos, e é difícil argumentar contra isso. Ele tinha a velocidade e todas as ferramentas que muitos outros tinham nesta lista. Mas, com Jerry, sua grandeza se baseava principalmente em suas mãos e na execução das rotas. Ele sabia exatamente onde ele queria ir, e, quase sempre, era capaz de chegar a esse ponto na hora certa porque ele tinha um bom entrosamento com seus quarterbacks. Eles também sabiam onde ele queria ir. Jerry e o futebol se encontraram naquele local, e, no caminho, Jerry deixava regularmente os defensores no chão.

Além de Jerry, também teria sido divertido jogar contra Joe Montana e Steve Young, que comandaram a ofensiva da Costa Oeste de Bill Walsh. Eu acho que se eu pudesse escolher dois ataques históricos que eu adoraria enfrentar com a nossa defesa Seahawks, seria os 49ers de Walsh e o Dallas Cowboys dos anos 90, com Troy Aikman, Emmitt Smith e Michael Irvin.

E assim como Cris Carter, Jerry Rice é outro cara de uma era diferente, que eu acho que causaria estragos nas defesas da NFL de hoje – ele talvez seja ainda mais perigoso hoje, se você puder imaginar isso.

Para cobrir Jerry, você teria que pressioná-lo na linha de scrimmage. Ele provavelmente usaria seus movimentos para tentar quebrar a pressão. Você teria que colocar as mãos nele de alguma forma para interromper seu timing.

Se você não colocasse as mãos nele e o fazesse perder o timing, ele chegaria onde queria. A bola estaria com ele e já era.

‘Jerry time’.

Como eu disse: Você mede um corner conforme ele se depara com os melhores recebedores, e eu gostaria de pensar que poderia dar conta do recado contra Jerry e os outros dessa lista.

Mas acho que nunca saberemos.

Ronaldo Barreto

Jornalista formado desde 2016, mas já trabalhava na área desde 2010, quando comecei em uma rádio comunitária em Guarulhos. Fui repórter (estagiário) na Federação Paulista de Futebol (FPF) e no site do jornal Diário de S. Paulo. Neste último, fui efetivado em 2016 e passei a ser o responsável por todo o conteúdo do portal do veículo em 2017, além das redes sociais. Com o intuito de fazer o futebol americano crescer ainda mais no Brasil, criei a página NFL à Brasileira, que se expandiu para este site de notícias sobre o esporte. Além da escrita, sou muito ligado à fotografia, principalmente de esportes.

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